Nas oficinas realizadas de setembro a dezembro sobre o gênero
crônica com os alunos da Escola Municipal Balbina Mestrinho, localizada no
município do Careiro da Várzea, foram escolhidos os três melhores textos, em um
total de 35 produções. Você escolhe agora qual destes deve ser o primeiro
colocado. Para votar, leia os textos abaixo e em seguida vote na sua preferida. O link para votação está disponível no canto superior direito do blog.
Duas lições
A
natureza nos faz entender que precisamos e dependemos dela.
Nesse
ano presenciei um fato marcante, uma enchente que superou todas as outras,
causando transtorno à população, que perdeu seus bens materiais, como móveis
(apesar de muitos terem um pouco de madeira para suspender suas coisas, outros
não tinham) e, além disso, alguns até perderam seus empregos. Mas em meio a
todo esse caos de ruas, pontes e casas alagadas, havia crianças se divertindo,
brincando de pular na água. Enquanto uns mergulhavam, outros brincavam de
pega-pega e davam cambalhotas. A partir deste momento, tomei minha primeira
lição: as crianças nos ensinam a viver com alegria independente da situação.
Porém,
algo a mais naquele momento chamou minha atenção. Foi um senhor que aparentava
ter 45 anos idade, que em meio a tudo isso levava sua vida normalmente,
trabalhando com alegria. Ele ia pelas ruas cantarolando e levando seu carrinho
com seus três bujões de gás, sem reclamar da situação porque gostava do seu
trabalho e fazia-o com muito orgulho. Foi então que obtive minha segunda lição:
devemos fazer o nosso trabalho sem olhar para os obstáculos que aparecem em
nosso caminho, pois precisamos executá-lo com determinação e empenho.
É
em meio às adversidades da vida que encontramos força e coragem para não
desistir de viver.
Mais que um olhar
Em
uma manhã de domingo, eu estava passeando por uma rua próxima de casa. Ao
passar por uma parada de ônibus, notei que algumas pessoas se demostravam
insatisfeitas com a demora do transporte.
Foi
então que percebi um mendigo já velho vestido com retalhos de roupas, descalço
e com cabelos arrepiados, murmurar:
– Como
é triste ver uma criança abandonada!
Nesse
momento, dei-me conta do que o velho senhor falava. Olhei na direção que ele
estava olhando e vi uma criança chorando. Imagino que, pela sua idade, ela deva
ter se perdido, ou algo assim. Mas logo seus pais vieram ao seu encontro.
Novamente,
escutei murmúrios ao meu lado. Entretanto, dessa vez era diferente. Virei-me
para o mendigo e parecia que estava com lágrimas em seus olhos.
Fiquei
emocionada com a sensibilidade daquele pobre velhinho, que, ao que penso, não
tem mais família.
Enquanto
algumas pessoas perdem seu tempo com banalidades, como aquelas que observei
antes discutindo sobre o ônibus, acabam se esquecendo de uma das coisas
essenciais para a vida do ser humano: o amor.
O
mesmo amor presente no reencontro entre os pais e a filha que emocionou o
mendigo, deveria ser a maior preocupação na vida das pessoas.
Nas asas da vida
Numa
tarde ensolarada, andando pelo jardim vi um casal namorando, trocando carinhos
encostados em uma árvore.
Num
dos galhos daquela Mangueira havia um casulo muito pequeno e amarelo, de onde
estava saindo uma linda borboleta com traços de cores desiguais espalhados pelo
seu corpo. Achei algo muito interessante e bonito, pois aquele inseto que dali
saía, um dia foi uma lagarta, que para voar precisou fazer um casulo.
Pensei
que a vida é cheia de transformações, assim como o nascimento de uma borboleta:
tem suas fases e cada uma delas tem seu próprio tempo. E como há tempo para tudo:
Há
tempo para a indiferença e tempo para o amor,
Há
tempo para erros e para os acertos,
Há
tempo para o sofrimento e para a superação
E
principalmente, muito tempo para felicidade.
